Morre Eurico Bastos, histórico repórter de imagem da SIC: televisão portuguesa em luto
A informação televisiva portuguesa perdeu uma das suas figuras mais respeitadas. Eurico Bastos, repórter de imagem da SIC, faleceu este domingo, 22 de junho, aos 49 anos, A sua partida representa um momento de profunda dor para a redação da estação de Carnaxide e para todos os que, ao longo de mais de 30 anos, privaram com ele nos bastidores da televisão.
Natural de Estarreja e há muito radicado em Aveiro, Eurico Bastos construiu uma carreira sólida, marcada pelo rigor, pela dedicação silenciosa e pela paixão pela notícia. Não era um rosto conhecido do público, mas era presença constante por detrás da câmara, nas reportagens mais marcantes do país e do mundo, sempre com o profissionalismo que lhe granjeou o respeito unânime dos colegas.
Foi precisamente esse espírito incansável e discreto que marcou a sua trajetória. De coberturas políticas a desastres naturais, de peças de sociedade a reportagens no terreno, Eurico esteve sempre na linha da frente, captando imagens que ajudaram a construir a narrativa jornalística de várias gerações. Na SIC, tornou-se uma referência de estabilidade, exigência e generosidade.
A notícia do seu falecimento abalou profundamente o meio televisivo. No Primeiro Jornal deste domingo, João Moleira prestou-lhe uma homenagem emocionada, encerrando a emissão em silêncio, com a imagem de Eurico em fundo e palavras comovidas sobre a sua importância na redação. “Mais do que um colega, foi um pilar invisível que sustentava muito do que fazíamos”, referiu.
Colegas da SIC, tanto repórteres como editores, multiplicaram-se em mensagens de homenagem, destacando a humanidade de Eurico, a sua atenção ao detalhe e a capacidade de fazer da imagem uma linguagem própria. Para muitos, a sua perda representa não apenas o fim de uma carreira exemplar, mas também a ausência de um amigo leal e de um profissional raro.
Apesar de enfrentar uma doença exigente, Eurico nunca deixou de estar ligado à televisão, mantendo-se próximo dos seus colegas e do ambiente de redação que tanto amava. O seu percurso é, para os mais jovens na profissão, um exemplo de como a excelência pode existir sem holofotes e de como o impacto do trabalho se mede na confiança de quem o partilha.
Além do seu legado profissional, Eurico deixa também memórias fortes entre amigos e familiares, que o recordam como alguém generoso, de humor discreto e de convicções firmes. O seu desaparecimento representa uma ferida profunda num setor já habituado a lidar com a pressão, mas pouco preparado para perder os que verdadeiramente fazem a diferença longe das câmaras.
A SIC deverá realizar uma homenagem institucional nos próximos dias, e os colegas planeiam uma cerimónia simbólica em Aveiro, cidade onde vivia e onde será sepultado. Entre os bastidores e as salas de edição, a sua ausência será sentida diariamente, não apenas pelo que fazia, mas pelo que era.
Neste momento de luto, a televisão portuguesa reconhece o valor de quem, longe da ribalta, garantiu durante décadas que as histórias chegassem a todos com qualidade, responsabilidade e humanidade. Eurico Bastos partiu, mas deixa um legado eterno — feito de imagens, de respeito e de silêncio eloquente.
