A recente marcha LGBT realizada em Lisboa provocou uma onda de reações nas redes sociais, entre elas a do líder do partido Chega, André Ventura, que não poupou críticas ao evento. O deputado expressou a sua indignação através de uma publicação feita na sua conta de Instagram esta quarta-feira.
No vídeo partilhado por Ventura, é possível ver imagens da marcha, acompanhadas de uma legenda em que o político condena duramente o teor do evento. “Querem obscenidades? Façam-nas em casa e não nas ruas”, escreveu, deixando clara a sua oposição à forma como o desfile decorreu.
Ventura prosseguiu nas críticas, alegando que o evento não é apropriado para o espaço público, especialmente tendo em conta a presença de crianças e jovens. “As nossas crianças e os jovens não têm de estar a levar com isto e muito menos devíamos gastar um cêntimo dos nossos impostos com estes disparates!”, afirmou.
A publicação não passou despercebida. Em menos de uma hora, o vídeo reuniu milhares de reações, com comentários tanto de apoio como de contestação. Seguidores mais conservadores aplaudiram a postura do deputado, enquanto outros denunciaram a mensagem como sendo discriminatória e desrespeitosa.
A marcha em questão contou com a participação de centenas de pessoas, que se reuniram para celebrar a diversidade, defender os direitos da comunidade LGBTQIA+ e promover a igualdade. Vários grupos civis e coletivos estiveram presentes, bem como figuras públicas conhecidas pelo seu ativismo social.
O evento decorreu com animação, música e várias performances artísticas, características habituais destas celebrações pelo orgulho LGBT. Tal como acontece em muitas outras cidades do mundo, a marcha em Lisboa é um momento de visibilidade e afirmação para pessoas que historicamente têm sido marginalizadas.
No entanto, para Ventura, esse tipo de expressão pública é motivo de preocupação. O deputado tem-se posicionado frequentemente contra o que considera serem “excessos” da sociedade moderna e aproveita as redes sociais para reforçar a sua mensagem política junto da sua base de apoio.
A polémica gerada pela publicação reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, espaço público e representação de minorias. Organizações de defesa dos direitos humanos têm alertado para o aumento do discurso de ódio, especialmente em plataformas digitais, onde figuras públicas têm grande influência.
Entretanto, representantes da comunidade LGBT já reagiram, reafirmando que as marchas são espaços de luta e celebração, e que não irão recuar perante discursos que procuram silenciar ou envergonhar a diversidade. “O orgulho não se esconde”, escreveram em resposta a Ventura.
Esta troca de mensagens nas redes sociais mostra, mais uma vez, o fosso existente entre diferentes visões da sociedade portuguesa — entre a luta pela igualdade e a resistência conservadora. A discussão promete continuar nos próximos dias, tanto nas redes como nos espaços políticos e sociais.
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