O silêncio dos últimos dias não foi por falta de amor. Foi por dor, por choque, por uma tentativa desesperada de entender o que nenhuma mãe, esposa ou irmã deveria enfrentar. Hoje, com o coração partido e ainda sem conseguir acreditar, venho prestar homenagem ao homem da minha vida: o Diogo.
Perdi o meu marido, o pai dos meus filhos, o meu melhor amigo e companheiro de mais de uma década. Perdi também o meu cunhado, André, um irmão para mim e um tio extraordinário para os nossos filhos. A dor é imensa e, por vezes, insuportável, mas o amor que nos rodeia tem sido uma âncora.
O Diogo era muito mais do que um jogador de futebol. Era um homem gentil, presente, sensível e apaixonado pela família. Nunca deixou que a fama lhe subisse à cabeça. Em casa, era o mesmo rapaz simples com quem me apaixonei na juventude, com um sorriso sereno e um abraço que curava qualquer dia difícil.
Nas redes sociais, vimos as homenagens, os vídeos, as palavras de carinho vindas de Portugal e do mundo inteiro. E em cada uma delas, sentimos o quanto o Diogo tocou vidas para além da nossa. Agradeço, de coração, a todos os que nos têm apoiado nesta tragédia.
Casámos há pouco mais de duas semanas. Foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Os nossos filhos sorriram, dançámos juntos, sonhámos com o futuro. Nunca imaginámos que tudo fosse interrompido de forma tão cruel. As imagens daquele dia são agora memórias preciosas que guardarei para sempre.
O Diogo era um pai incrível. Brincava, ensinava, protegia. A forma como olhava para os nossos filhos dizia tudo. Eles sentem muito a tua falta, amor. Todos os dias perguntam por ti, e todos os dias tento responder com força, mesmo quando me faltam as palavras.
A perda do André também nos deixa sem chão. Ele era um pilar na nossa família, uma presença constante e generosa. A dor dos pais dele, dos nossos sobrinhos e de todos os que o amavam é indescritível. Esta tragédia levou dois homens incríveis, e o mundo parece mais frio desde então.
Prometo continuar por ti, pelo que fomos, pelos nossos filhos. Prometo contar-lhes quem eras, como vivias, como amavas. Prometo honrar-te em cada passo, mesmo que eu ainda esteja a aprender a caminhar sem ti.
A vida tirou-me o amor da minha vida, mas nunca me tirará as memórias, o legado e o exemplo que deixaste. O futebol perdeu um craque. Nós perdemos tudo. Mas ganhámos também a certeza de que o amor verdadeiro é eterno — e o nosso viverá para sempre.
Descansa em paz, meu amor.
