O estado do Texas enfrenta uma das mais devastadoras catástrofes naturais da sua história recente. Cheias repentinas, provocadas por uma tempestade violenta, atingiram a região do rio Guadalupe na madrugada de sexta-feira, 4 de julho de 2025, transformando o feriado num pesadelo. Até ao momento, as autoridades confirmam 52 mortos, incluindo 15 crianças, e dezenas de pessoas continuam desaparecidas.
Entre os desaparecidos estão 27 raparigas que participavam num acampamento cristão de verão. O grupo encontrava-se alojado junto à margem do rio quando o caudal subiu de forma abrupta, surpreendendo todos. A água galgou mais de oito metros em apenas 45 minutos, arrastando tendas, caravanas e estruturas de madeira.
As autoridades locais e equipas de emergência têm trabalhado incessantemente para localizar sobreviventes. Helicópteros, barcos e drones estão a ser utilizados numa operação de resgate que decorre 24 horas por dia. Nim Kidd, chefe do Departamento de Gestão de Emergências do Texas, assegurou que os esforços não irão cessar enquanto houver esperança de encontrar vidas.
À medida que o tempo avança, cresce a angústia dos familiares que aguardam notícias. As redes sociais tornaram-se um canal de desespero e solidariedade, onde pais e amigos partilham fotos, nomes e últimos contactos, na tentativa de obter qualquer informação sobre os seus entes queridos. Muitos têm acampado junto às zonas de busca, na esperança de um milagre.
Histórias de coragem e tragédia emergem dos escombros deixados pelas águas. Julian Ryan, de 27 anos, perdeu a vida ao salvar a família. Preso numa caravana com a mulher e filhos, partiu uma janela com o braço até todos escaparem. Morreu pouco depois devido aos ferimentos, mas garantiu a sobrevivência de quem mais amava.
As irmãs Blair e Brooke Harber, de 13 e 11 anos, foram encontradas sem vida, abraçadas, após a sua cabana ter sido levada pela corrente. Estavam acompanhadas pelos avós, que continuam desaparecidos. A perda comoveu toda a comunidade, onde as meninas eram conhecidas pela alegria contagiante.
Brian Eads viveu um drama indescritível ao ver a mulher, Katheryn, ser levada pelas águas diante dos seus olhos. Sobreviveu agarrando-se a uma árvore, mas a dor da perda acompanha-o. “A corrente era forte demais. Estávamos juntos e, num instante, já não estava lá”, contou, emocionado.
Outra vítima foi Janie Hunt, uma menina de 9 anos que participava do seu primeiro acampamento. Apesar de ser a mais nova do grupo, tinha um espírito aventureiro e muito entusiasmo. Dos seus seis primos que a acompanhavam, todos conseguiram sobreviver com ferimentos ligeiros.
O casal Bobby e Amanda Martin, de 46 e 44 anos, também não resistiu. Estavam a aproveitar o fim de semana prolongado numa caravana, quando foram surpreendidos pela inundação. Foram encontrados juntos, a poucos metros do local onde acamparam. Amigos descrevem-nos como inseparáveis.
Enquanto o luto toma conta das comunidades afetadas, a prioridade das autoridades permanece centrada nas operações de resgate. A tragédia deixou marcas profundas e servirá como alerta para os riscos de fenómenos extremos, cuja frequência e intensidade têm aumentado com as alterações climáticas. O Texas chora os seus mortos, mas continua a lutar pelos que ainda estão por encontrar.
