Perturbante. Câmara oculta apanha auxiliares

Câmara oculta revela maus-tratos chocantes a crianças em creche dos Açores: auxiliares agrediam menores de 1 a 3 anos

O caso que está a chocar o país ocorreu na creche do Centro de Apoio à Criança n.º 1, em Rabo de Peixe, ilha de São Miguel, nos Açores. Câmaras ocultas instaladas pela direção da instituição registaram agressões brutais a crianças entre 1 e 3 anos, por parte de quatro auxiliares de educação.

As imagens, obtidas pelo Notícias ao Minuto, mostram palmadas na testa, empurrões, gritos, e comportamentos extremos, como obrigar um menino a engolir o próprio vómito ou empurrar comida pela garganta de uma menina com o cabo de uma colher.

Denúncias deram origem à investigação

Em março deste ano, o presidente da Casa do Povo de Rabo de Peixe, Carlos Estrela, decidiu instalar câmaras de videovigilância, após receber várias queixas de pais sobre comportamentos suspeitos das funcionárias. Bastaram três dias de gravações para confirmar os abusos.

As provas foram entregues de imediato às autoridades e o Ministério Público abriu um inquérito criminal, estando o caso sob investigação.

Funcionárias continuam em funções sob vigilância

Apesar da gravidade das imagens, o tribunal ordenou a reintegração das quatro funcionárias, ainda que sob vigilância direta, enquanto não há decisão instrutória. Estão também obrigadas a frequentar cursos para agressores, promovidos pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

Esta decisão provocou indignação generalizada, tanto por parte dos pais como da direção da própria instituição, que contesta veementemente a reintegração das suspeitas. Várias manifestações e petições exigem a sua demissão definitiva.

Maus-tratos antigos foram “abafados”

O caso ganhou ainda maior gravidade após revelações de uma mãe de um antigo aluno da creche, que contou à imprensa que os maus-tratos remontam a pelo menos sete anos atrás, mas terão sido encobertos pelos responsáveis da altura.

A mãe afirma que o seu filho foi silenciado com fita adesiva na boca e que, durante a fase do desfralde, era obrigado a tomar banho em água gelada se urinasse na cama. “Era deixado sozinho a chorar em cima do muda-fraldas”, relatou.

Um apelo à justiça

Este caso levanta sérias questões sobre a fiscalização e supervisão em creches, bem como sobre o sistema judicial que, apesar de provas evidentes, permite o regresso ao trabalho de profissionais acusadas de crimes graves contra menores.

A sociedade exige respostas claras, justiça célere e medidas concretas para proteger o que há de mais vulnerável: as crianças. O país assiste, com revolta e incredulidade, à espera de uma decisão que reflita a gravidade dos factos e respeite os direitos das vítimas.