A recente revelação de Daniela no Big Brother Verão deixou muitos telespectadores em choque. Durante uma dinâmica na casa, a bailarina partilhou que teve pensamentos suicidas logo após sair do reality O Dilema, afirmando que “quis acabar” com a própria vida no dia seguinte à sua participação. As palavras fortes e sinceras da concorrente trouxeram à tona a discussão sobre saúde mental em ambientes televisivos de grande exposição.
Entre as reações que se seguiram, destacou-se a de Susana Dias Ramos, psicóloga e antiga comentadora de reality shows da TVI, que usou as redes sociais para refletir sobre a gravidade da situação. Através do seu Instagram, Susana foi direta ao apontar que o ano de 2025 tem sido particularmente difícil no que toca à saúde mental, e que o número de pessoas em sofrimento tem aumentado de forma preocupante.
A psicóloga sublinhou que muitas das pessoas que procura em consulta não apresentam “situações”, mas sim problemas sérios, reais e persistentes. Segundo ela, há uma banalização do sofrimento emocional e, muitas vezes, uma incompreensão por parte da sociedade sobre o impacto que palavras e experiências públicas podem ter sobre a saúde de alguém.
Num tom mais crítico, Susana explicou também o motivo pelo qual se afastou dos comentários ao Big Brother. Afirmou que se dissociou do formato porque não consegue manter-se calada diante de “disparates” ditos por alguns participantes e intervenientes, que por vezes colocam em risco a estabilidade emocional dos concorrentes. “As palavras têm poder”, alertou, frisando que uma vez ditas, não podem ser retiradas.
Respondendo a uma pergunta colocada por um seguidor, Susana abordou diretamente a situação de Daniela. Contou que, após sair de O Dilema, a jovem terá recebido conselhos do comentador Ricardo Martins Pereira, colega de Susana nesse programa. Os dois encontraram-se três dias após a saída de Daniela, e segundo Susana, Ricardo prestou apoio de forma genuína e generosa.
Apesar da ajuda recebida, Susana não deixou de lamentar o desfecho emocional de Daniela, dizendo que foi “ladeira abaixo”, numa sucessão de acontecimentos infelizes. Esta observação, apesar de crítica, pareceu carregada de preocupação genuína e vontade de alertar para o perigo real que o sofrimento psicológico representa, especialmente em contextos de grande exposição pública.
A psicóloga também aproveitou para explicar como lida com pedidos de ajuda. Disse que oferece conselhos a quem os procura, sobretudo às suas seguidoras mais próximas, mas que há casos que exigem acompanhamento profissional. E foi clara: conselhos gratuitos muitas vezes não são levados a sério. “Quando nós pagamos alguma coisa, nós valorizamos mais”, destacou.
A reflexão de Susana toca num ponto crucial: a responsabilidade social e emocional dos formatos televisivos e das figuras públicas. Reality shows, apesar de entreterem, colocam pessoas comuns sob uma lupa intensa e constante. Quando os impactos psicológicos não são devidamente acompanhados, o risco para os participantes pode ser real e grave.
A situação de Daniela é um sinal de alerta. Mostra como o pós-reality pode ser tão ou mais difícil do que o tempo vivido dentro da casa. A pressão, os julgamentos, os comentários nas redes sociais e a ausência de suporte adequado são fatores que, somados, podem levar a estados de desespero.
Em última análise, a mensagem de Susana Dias Ramos não é apenas sobre Daniela, mas sobre um problema sistémico. As suas palavras são um apelo à empatia, à responsabilidade na comunicação e à valorização da saúde mental — dentro e fora dos ecrãs.
