O Estádio do Dragão foi palco, na quinta-feira, 6 de agosto, de uma sentida homenagem a Jorge Costa, antigo capitão e figura marcante do FC Porto. Entre os presentes esteve Sérgio Conceição, treinador português e amigo próximo do ex-central, cuja relação de amizade e respeito mútuo se prolongou muito para além dos tempos de balneário.
No entanto, durante as cerimónias, um momento chamou a atenção de muitos adeptos e jornalistas: Conceição não cumprimentou, nem trocou palavras, com André Villas-Boas, atual presidente do clube. A ausência de contacto direto entre os dois não passou despercebida e reacendeu comentários sobre o clima de tensão que paira entre ambos.
A relação fria tem origem no período que antecedeu as eleições do FC Porto, há cerca de um ano. Na altura, Sérgio Conceição manifestou publicamente o seu apoio a Pinto da Costa, figura histórica do clube e adversário direto de Villas-Boas na corrida presidencial.
Com a vitória eleitoral de AVB, o técnico acabou por deixar o comando técnico dos dragões, decisão que o próprio presidente explicou mais tarde, em entrevista a O Jogo e ao Jornal de Notícias. Villas-Boas afirmou que a continuidade de Conceição era “incompatível” com o novo projeto desportivo que pretendia implementar.
Apesar da tensão política e desportiva, a presença de Conceição nas cerimónias fúnebres foi interpretada como um gesto de respeito e amizade para com Jorge Costa e a sua família, colocando, pelo menos por um dia, o luto acima das divergências institucionais.
André Villas-Boas, por sua vez, manteve uma postura formal ao longo da cerimónia, evitando qualquer sinal de desconforto público. Ainda assim, o afastamento físico e emocional entre as duas figuras foi evidente para todos os que acompanharam o evento.
A “guerra fria” entre Conceição e AVB tem sido acompanhada de perto pela comunicação social, que vê neste episódio mais um capítulo de um relacionamento marcado por lealdades antigas, estratégias políticas e visões distintas para o futuro do FC Porto.
Jorge Costa, que faleceu recentemente, foi companheiro de balneário de Sérgio Conceição na seleção portuguesa e no próprio FC Porto, e manteve com ele uma amizade sólida ao longo das décadas.
O silêncio entre Conceição e Villas-Boas durante a homenagem poderá não ter surpreendido, mas reforça a ideia de que a reconciliação entre os dois continua distante, pelo menos no curto prazo.
Ainda assim, no Dragão, naquele dia, o foco esteve sobretudo na despedida de uma das maiores referências do clube, com adeptos, dirigentes, ex-jogadores e amigos a unirem-se para recordar o “Capitão” Jorge Costa.
