Um incêndio de grandes dimensões atingiu esta quarta-feira várias localidades do concelho de Trancoso, no distrito da Guarda, deixando um rasto de destruição. Entre as perdas registadas está uma habitação completamente consumida pelas chamas.
A casa, situada numa das zonas mais afetadas, pertencia a Luís, um homem de 80 anos que dedicou grande parte da sua vida à profissão de guarda florestal. O idoso viu o trabalho e o lar de uma vida reduzidos a cinzas em poucas horas.
Em declarações à SIC, visivelmente emocionado, Luís contou que ficou apenas com a roupa que tinha no corpo. “Agora? Não sei o que vou fazer (…) Tenho de me remediar”, confessou, num tom de tristeza e incerteza.
As chamas avançaram rapidamente devido ao calor intenso e ao vento forte, dificultando a intervenção dos bombeiros. Apesar dos esforços das equipas no terreno, o fogo não deu tréguas e alcançou a propriedade de Luís antes que pudesse ser salva.
Vizinhos e populares tentaram ajudar, mas as condições adversas tornaram impossível impedir a destruição total da habitação. Restam agora apenas escombros e memórias de décadas passadas naquela casa.
Luís, que passou anos a proteger a floresta e a combater incêndios na sua carreira, vive agora a dolorosa ironia de ser vítima de um fogo que não conseguiu travar. “Nunca pensei ver isto acontecer comigo”, afirmou.
As autoridades locais garantem estar a acompanhar o caso e prometem encontrar soluções de apoio para o idoso, incluindo alojamento temporário e apoio social.
O incêndio, que já mobilizou dezenas de operacionais e meios aéreos, continua a ser combatido em várias frentes. O objetivo principal é travar o avanço para outras zonas habitadas e proteger vidas humanas.
A população de Trancoso segue em alerta, com vários moradores a retirarem bens essenciais das suas casas por precaução. O som das sirenes e o fumo no horizonte são agora o cenário dominante.
Para Luís, a prioridade é recuperar forças e encontrar um novo lugar para viver. “A casa já não volta, mas ainda tenho vida e amigos”, disse, tentando manter um fio de esperança no meio da tragédia.
