O homicídio de Carlos Castro, ocorrido em Nova Iorque em 2011, continua a ser um dos episódios criminais mais lembrados em Portugal. A brutalidade do ato, associada à notoriedade do cronista social, fez com que o caso ocupasse as manchetes durante meses e permanecesse na memória coletiva até hoje.
Renato Seabra, então um jovem modelo com apenas vinte e um anos, via na proximidade com Carlos Castro uma oportunidade de afirmar-se no competitivo mundo da moda. Para o cronista, a ligação parecia ter contornos de companheirismo e apoio, algo que rapidamente se transformou numa convivência complexa e conflituosa.
O contacto entre os dois surgiu no meio dos eventos de moda em Portugal. Há relatos de que Renato foi apresentado a Carlos em ocasiões ligadas ao Portugal Fashion, onde a própria mãe do modelo, Odília Pereirinha, terá acompanhado o filho em determinados encontros. Esse detalhe acabou por alimentar especulações sobre até que ponto a mãe tinha consciência da relação que estava a nascer.
Apesar das interpretações que surgiram, Odília nunca foi envolvida judicialmente. Contudo, ao longo dos anos, alguns comentadores sociais reforçaram a ideia de que ela não estava totalmente alheia ao que acontecia, mesmo que pudesse não ter compreendido em profundidade a natureza da ligação entre o filho e o cronista.
A viagem a Nova Iorque acabou por expor tensões que já vinham de trás. O que parecia ser uma parceria destinada a impulsionar a carreira de Renato rapidamente se tornou num ambiente de desentendimentos e disputas pessoais, marcado por discussões e frustração.
Foi nesse contexto de instabilidade que, no dia sete de janeiro de 2011, Carlos Castro perdeu a vida às mãos de Renato Seabra, num quarto de hotel em Manhattan. A violência do crime surpreendeu a sociedade portuguesa e internacional, que acompanhou cada detalhe do caso com grande atenção mediática.
A cobertura noticiosa foi intensa e minuciosa, com os media a explorarem não apenas os pormenores do crime, mas também os antecedentes da relação entre o jovem e o jornalista. A brutalidade do ato e a juventude do agressor aumentaram ainda mais o impacto público da tragédia.
O julgamento decorreu em Nova Iorque e foi seguido ao detalhe pela comunicação social portuguesa. A defesa tentou argumentar problemas de ordem psicológica, mas o tribunal acabou por condenar Renato Seabra a uma pena de vinte e cinco anos de prisão, decisão que foi vista como um desfecho inevitável perante a gravidade dos factos.
Ao longo de todo o processo, a mãe do condenado foi uma presença constante nas notícias e alvo de comentários, sobretudo pela dúvida sobre o que realmente sabia acerca da relação do filho com Carlos Castro. Embora nunca tenha sido acusada, a sua postura continua a gerar debate sempre que o caso é relembrado.
Mais de uma década depois, o tema regressou à atualidade com a eleição de Joana Seabra, irmã de Renato, como deputada da Aliança Democrática. A ascensão política da jovem trouxe novamente à memória coletiva a tragédia de 2011, embora comentaristas façam questão de separar a vida da nova parlamentar do passado trágico que marcou a sua família.
