Rosinha, uma das figuras mais queridas da música popular portuguesa, demonstrou mais uma vez a sua resiliência e autenticidade numa entrevista tocante ao podcast Posto Emissor, da Blitz. Num registo íntimo e sincero, a artista falou abertamente sobre uma batalha pessoal que até agora mantinha mais resguardada: a convivência diária com uma doença degenerativa progressiva e incurável.
Durante a conversa, Rosinha revelou que enfrentou um longo tratamento de quimioterapia durante cinco anos. Apesar das adversidades, recusa entregar-se ao sofrimento. Com um sorriso e o humor característico que tanto a define, partilhou a sua filosofia de vida:
“É não lhe dar a importância que ela acha que deve ter, basicamente.”
As noites, no entanto, continuam a ser o maior desafio. Segundo explicou, é nesse período que o corpo — em modo de descanso — intensifica a perceção da dor. Para uma artista cujo quotidiano foge aos ritmos convencionais, com noites longas e manhãs dormidas, a condição torna-se ainda mais difícil de gerir:
“Eu durmo até ao meio-dia e deito-me às cinco/seis da manhã.”
Apesar disso, Rosinha recusa-se a ver-se como vítima. O seu estoicismo e capacidade de encarar a dor com leveza e até humor tornam-se uma lição de vida para muitos:
“Às vezes dói, mas se eu lhe der importância vai doer mais.”
O testemunho da cantora tem tocado profundamente os seus fãs, que veem nela não só uma intérprete de talento inquestionável, mas também um exemplo de coragem e dignidade. Mesmo longe dos palcos, Rosinha continua a inspirar — não só pelas músicas que canta, mas sobretudo pela forma como enfrenta as dores da vida com graça, força e humanidade.
