A cantora Rosinha, conhecida pelo seu estilo irreverente na música popular portuguesa, abriu o coração numa recente entrevista ao podcast Posto Emissor, da Blitz. Durante a conversa, a artista partilhou um episódio profundamente marcante da sua vida pessoal, que remonta a 2012, e que coincidiu com um concerto nos Açores.
Naquele dia, Rosinha recebeu a notícia da morte do pai, vítima de uma doença hepática, poucas horas antes de subir ao palco. A chamada da irmã trouxe-lhe a confirmação do que mais temia. Estando longe do continente, foi confrontada com a perda sem a possibilidade de estar com a família. Ainda assim, optou por manter o compromisso profissional e atuar nessa noite.
Visivelmente emocionada, a artista admitiu que a distância acabou por ser, de certa forma, um fator que lhe permitiu continuar. “Se estivesse cá, não sei se conseguia. Mas como não vi o meu pai morto, consegui fazê-lo”, partilhou. Esta declaração revela a força emocional com que enfrentou um momento de dor profunda, escondido dos aplausos e dos holofotes.
A propósito desse episódio, Rosinha falou também sobre o sofrimento que testemunhou no final da vida do pai. Esse contexto levou-a a refletir sobre o tema da eutanásia, uma questão sensível que continua a dividir opiniões na sociedade portuguesa. Sem rodeios, declarou-se a favor da possibilidade de cada pessoa decidir o seu fim, quando confrontada com dor extrema e incurável.
“Se fosse comigo, gostaria de ter o direito de escolher”, afirmou com firmeza. A cantora expressou empatia com quem vive diariamente com doenças irreversíveis, defendendo o direito à dignidade até ao último momento. A sua visão está alinhada com uma perspetiva humanista que procura aliviar o sofrimento onde a medicina já não oferece soluções.
Rosinha reforçou ainda que a sua família sempre valorizou o acompanhamento próximo dos entes queridos nos momentos mais difíceis. Segundo contou, esse apoio constante ao longo do processo da doença do pai foi essencial, mas não diminuiu a dureza daquilo que ele viveu. Por isso, acredita que permitir a escolha consciente de terminar o sofrimento pode ser um ato de amor.
Com esta partilha corajosa, Rosinha mostrou uma faceta mais íntima e ponderada, contrastando com a imagem bem-disposta e leve que habitualmente exibe nos palcos. A sua posição sobre a morte assistida provocou reações entre fãs e ouvintes, muitos dos quais elogiaram a sua frontalidade e humanidade.
A artista, que soma anos de carreira e continua a reunir multidões nos seus concertos, mostra que também usa a sua voz fora da música para dar visibilidade a temas relevantes e sensíveis. Ao falar de forma aberta sobre o luto, o sofrimento e a autonomia individual, Rosinha contribui para um debate mais empático sobre a morte digna.
Num país onde a discussão sobre a legalização da eutanásia tem gerado divisões, declarações como as de Rosinha ajudam a personalizar o tema, trazendo à tona experiências reais que muitas famílias enfrentam. É um contributo importante para que o diálogo sobre o fim da vida seja feito com respeito, consciência e compaixão.
Apesar do episódio difícil que viveu, Rosinha continua a demonstrar força e autenticidade. A sua história pessoal, aliada à defesa de valores humanos, confirma que por trás das canções bem-humoradas está uma mulher com convicções profundas e um enorme coração.
