Mãe acusada de matar a filha !

A família de Paloma Shemirani tornou pública uma grave acusação contra a própria mãe, Kate Shemirani, responsabilizando-a pela morte da jovem. Em declarações à BBC, os irmãos Gabriel, Sebastian e a irmã mais nova afirmam que as ideias fixas e extremas de Kate influenciaram diretamente as decisões de Paloma durante um período delicado da sua vida. Gabriel foi claro: “A minha irmã morreu como consequência direta das ações da minha mãe.”

Kate Shemirani é uma figura conhecida no Reino Unido por divulgar teorias da conspiração sobre saúde. Expulsa da Ordem dos Enfermeiros em 2021, tornou-se popular entre círculos negacionistas, promovendo ideias contra tratamentos médicos convencionais e incentivando o uso de práticas sem base científica. Foi esse tipo de influência que, segundo os filhos, afastou Paloma de cuidados apropriados.

A jovem, que passou por um problema de saúde sério em 2024, optou por seguir os conselhos da mãe em detrimento de indicações profissionais. Os irmãos explicam que, mesmo com informações claras dos especialistas, Paloma confiou no testemunho pessoal de Kate, que se vangloriava de ter superado um problema semelhante recorrendo apenas a terapias alternativas.

Durante sete meses, Paloma manteve-se fiel a essas ideias, recusando abordagens tradicionais sugeridas por médicos. A situação agravou-se até não haver mais retorno. Kate, por sua vez, chegou a culpar o sistema de saúde pública, mas não respondeu às acusações dos filhos nem reconheceu publicamente o impacto das suas orientações.

A BBC teve acesso a mensagens trocadas entre mãe e filha onde Kate reforça a rejeição aos tratamentos recomendados, defendendo teorias sem validação científica. Para os irmãos, isso representa um caso claro de desinformação com consequências trágicas, agravadas pelo facto de terem vindo de dentro da própria família.

Especialistas consultados alertam que situações como esta estão a tornar-se cada vez mais frequentes. A influência de figuras públicas ou familiares com discursos pseudocientíficos pode ter efeitos devastadores, especialmente quando exercida sobre pessoas emocionalmente fragilizadas ou em momentos de vulnerabilidade.

Gabriel afirma que, embora já não possa mudar o desfecho da história da irmã, pretende lutar contra este tipo de influência perigosa. “Não consegui impedir a morte da minha irmã, mas posso trabalhar para que outras pessoas não passem pelo mesmo.” A família tem apelado a medidas legais mais severas contra quem promove práticas não reconhecidas.

O caso reabre o debate sobre os limites da liberdade de expressão quando esta entra em conflito com a segurança pública. Embora cada pessoa tenha o direito de tomar decisões sobre o próprio corpo, especialistas defendem que o papel da desinformação precisa ser mais bem regulado, sobretudo quando parte de quem tem plataformas com grande alcance.

Paloma tornou-se um exemplo do que pode acontecer quando crenças pessoais se sobrepõem ao conhecimento científico. A sua história está agora a ser utilizada como alerta por médicos, jornalistas e ativistas, que pedem uma atuação mais firme por parte das autoridades e maior sensibilização da população para distinguir informação segura de conteúdos perigosos.

A dor da família de Paloma é profunda, mas transformou-se numa causa. Os irmãos querem garantir que o legado dela seja o de alerta e mudança — uma mobilização contra a desinformação e a favor de decisões informadas. A luta deles é, acima de tudo, para que nenhuma outra família tenha de enfrentar a mesma perda evitável.