Novos detalhes no caso monica silva!

 

Inspetores da Polícia Judiciária sob investigação por suspeitas de tortura e falsificação no caso do homicídio da grávida da Murtosa

O Ministério Público (MP) abriu uma investigação a inspetores da Polícia Judiciária (PJ) por alegada tortura, tratamento degradante, falsificação de prova e prevaricação no âmbito do caso do homicídio de Mónica Silva, a mulher grávida de sete meses que desapareceu na Torreira (Murtosa), em outubro de 2023. A informação foi confirmada esta terça-feira, após o juiz Jorge Bispo, presidente da Comarca de Aveiro, validar a extração de certidão para apuramento dos factos.

Denúncia grave parte da defesa do arguido

A acusação surge na reta final do julgamento e parte da defesa de Fernando Valente, principal arguido no caso, que acusa inspetores da PJ de agredirem e coagirem uma testemunha, Octávio Oliveira, a mentir durante o processo.

Segundo a versão apresentada, Octávio — homem contratado para limpar o apartamento onde o crime terá ocorrido — foi pressionado a afirmar que realizou uma “limpeza profunda” no local, algo que nega. O objetivo da alegada coação seria criar uma narrativa favorável à acusação, sugerindo tentativa de ocultação de provas por parte de Fernando Valente.

O advogado Falé de Carvalho, representante dos filhos da vítima e do viúvo, confirmou que Octávio “disse que limpou pó, aspirou, mas nunca falou de nenhuma limpeza profunda”.

Ministério Público investiga múltiplos crimes

A certidão do processo foi enviada ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Aveiro, que irá agora apurar a eventual prática de crimes como:

Impacto direto na credibilidade da investigação

As alegações de manipulação e coação lançam uma sombra sobre a condução da investigação criminal levada a cabo pela Polícia Judiciária, podendo comprometer elementos-chave da prova usados contra Fernando Valente. A defesa considera que tais condutas violam gravemente os direitos processuais e mancham a integridade do processo.

Relembre o caso

Fernando Valente está acusado de:

O crime ocorreu a 3 de outubro de 2023, quando Mónica Silva, de 33 anos, desapareceu. Grávida de sete meses, mantinha uma relação com o arguido. Segundo o Ministério Público, Fernando terá cometido o homicídio para evitar assumir a paternidade e a consequente perda de parte do seu património. O corpo de Mónica continua desaparecido até hoje.

Um processo marcado por tensão, incertezas e suspeitas internas

Este novo capítulo coloca a própria investigação em xeque, aumentando a complexidade de um caso já carregado de emoção pública, provas circunstanciais e um desfecho ainda por esclarecer. A comunidade e a Justiça aguardam agora as conclusões da nova investigação interna, que poderá ter implicações profundas no desfecho do julgamento.