Um momento de grande tensão marcou a sessão parlamentar desta sexta-feira, 4 de julho, na Assembleia da República. O deputado e presidente do Chega, André Ventura, gerou polémica ao ler em voz alta nomes de crianças estrangeiras inscritas numa escola de Lisboa, o que provocou reações imediatas de várias bancadas, incluindo lágrimas por parte da deputada do Livre, Isabel Mendes Lopes.
O episódio ocorreu durante um debate sobre políticas de imigração e integração escolar. André Ventura, ao tentar ilustrar a “suposta descaracterização cultural” nas escolas portuguesas, leu nomes de crianças oriundas de famílias estrangeiras, provocando forte indignação entre os deputados da esquerda.
Visivelmente emocionada, Isabel Mendes Lopes pediu a palavra para condenar a intervenção. “Este Parlamento tem de ter humanismo, principalmente com as crianças. Nenhuma criança merece ser usada para fins políticos, muito menos desta forma”, afirmou com a voz embargada.
As palavras da deputada do Livre foram recebidas com aplausos pelas bancadas do PS, BE e PCP. Já do lado do Chega, houve sinais de desacordo, com André Ventura a manter a sua posição e a acusar a esquerda de “hipocrisia e vitimização seletiva”.
A tensão aumentou quando a deputada socialista Eva Cruzeiro se levantou em protesto contra a intervenção de Ventura. Numa troca de palavras acalorada, o presidente do Chega reagiu de forma exaltada: “Julgas que estás em casa ou quê?”, dirigindo-se diretamente à deputada, num tom que gerou nova vaga de protestos.
O presidente da Assembleia da República tentou intervir para acalmar os ânimos, pedindo contenção e respeito entre parlamentares. No entanto, os apartes e trocas de acusações continuaram por vários minutos, tornando o debate praticamente inaudível por instantes.
Diversos partidos vieram posteriormente a público criticar o comportamento de André Ventura, considerando a leitura dos nomes um “ataque gratuito” à dignidade de menores que nada têm a ver com a disputa política. Vários deputados exigiram um pedido de desculpas público.
Por outro lado, o Chega reafirmou a sua posição através das redes sociais, acusando a oposição de “censura moral” e garantindo que continuará a “denunciar o que considera excessos do multiculturalismo nas escolas portuguesas”.
Este incidente relança o debate sobre os limites do discurso político em matérias sensíveis como a infância e a imigração, levantando também questões sobre ética, privacidade e o papel dos representantes eleitos no respeito pela dignidade humana.
O episódio deverá motivar reações nos próximos dias, podendo mesmo resultar em queixas formais ou pedidos de intervenção da Comissão de Ética da Assembleia, numa altura em que o ambiente parlamentar se mostra cada vez mais polarizado.
