“Estou com medo, mãe”, ouvia-se numa chamada angustiada de uma criança para a mãe, enquanto raios sobre Mirandela, no nordeste transmontano. Enquanto grande parte do país enfrentava um dia abafado de calor, com temperaturas a rondar os 35 °C, aquela região foi surpreendida por uma tempestade intensa que apanhou muitos de surpresa.
O cenário em Mirandela mudou drasticamente ao início da tarde. escurecido, trovoadas violentas e chuvas torrenciais criaram um ambiente de instabilidade e pânico. O contraste com o resto do país não podia ser mais evidente: em Lisboa, Porto e Algarve, o calor fazia-se sentir de forma intensa, com praias lotadas e alertas para exposição solar prolongada.
Moradores relataram momentos de grande tensão, especialmente em zonas rurais e escolares. Em algumas aldeias próximas, os trovões ecoavam com tal força que janelas e portas tremiam, assustando os mais pequenos. “Nunca vi uma coisa assim em pleno julho”, comentou uma residente local. “A minha filha ligou-me da escola, assustada. Só dizia: ‘Estou com medo, mãe.’”
A Proteção Civil confirmou que foram registadas dezenas de ocorrências relacionadas com inundações ligeiras, quedas de árvores e cortes temporários de energia. Felizmente, até ao momento, não há feridos a registar. As autoridades mantêm vigilância apertada sobre o avanço da frente fria que atravessa pontualmente o interior norte do país.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já tinha alertado para a possibilidade de fenómenos localizados de instabilidade atmosférica, mas a intensidade da tempestade em Mirandela superou as expectativas iniciais. Em poucos minutos, a temperatura caiu mais de 10 graus, e o vento atingiu rajadas superiores a 60 km/h.
Enquanto isso, em outras regiões do país, o cenário era bem diferente. Em Évora, os termómetros ultrapassavam os 38 °C, obrigando a população a procurar sombra e hidratação. Várias localidades do Alentejo e Ribatejo mantêm-se sob aviso amarelo devido ao calor extremo e ao risco elevado de incêndio.
Este contraste climático evidencia a complexidade dos padrões meteorológicos que afetam Portugal continental. O país pode estar, ao mesmo tempo, sob ondas de calor intensas e fenómenos súbitos de tempestade. Especialistas explicam que esta variabilidade está associada ao choque entre massas de ar quente e frio, fenómeno comum nas transições sazonais.
As autoridades apelam à população para seguir as recomendações de segurança em caso de trovoada: evitar zonas abertas, não permanecer debaixo de árvores e desligar aparelhos elétricos. Já no caso do calor, reforça-se o apelo à ingestão de líquidos, uso de roupa leve e atenção especial a crianças e idosos.
Por agora, Mirandela tenta recuperar do susto e da instabilidade meteorológica que desceu sem aviso pleno. A previsão aponta para melhoria nas próximas horas, mas os serviços de emergência continuam em alerta.
Veja aqui:
https://cnnportugal.iol.pt/videos/estou-com-medo-mae-calor-no-resto-do-pais-tempestade-em-mirandela/68651b6c0cf216cd3ad3830e
