Gouveia e Melo em maus lençóis!

 

A divulgação de uma nova sondagem sobre as eleições presidenciais de 2026 está a gerar polémica. O estudo de opinião, encomendado pela TVI e conduzido pela empresa Aximage, coloca o almirante Gouveia e Melo como o principal favorito à Presidência da República. No entanto, a mudança de empresa responsável pelas sondagens levanta sérias suspeitas de favorecimento e falta de isenção.

Até recentemente, a TVI recorria à empresa Pitagórica para os seus barómetros políticos. Esta entidade vinha registando uma descida progressiva nas intenções de voto em Gouveia e Melo. A rutura do contrato coincidiu com o anúncio da nova sondagem feita pela Aximage, cujos resultados contrastam fortemente com os anteriores, reacendendo discussões sobre a independência dos estudos de opinião.

A escolha da Aximage para esta sondagem em particular não está integrada num contrato regular, mas sim num pedido pontual feito pela direção de informação da estação televisiva. Esta decisão, segundo o jornal Correio da Manhã, é vista com desconfiança nos bastidores políticos, especialmente pela ligação da Aximage a figuras com influência nos media.

A Aximage pertence a Marco Galinha, empresário próximo de Mário Ferreira, o acionista maioritário da TVI/CNN. Esta relação empresarial tem servido de argumento para críticos que apontam possíveis conflitos de interesse na condução e divulgação dos resultados da sondagem.

Além disso, o passado político do diretor-geral da Aximage, José Almeida Ribeiro, levanta mais dúvidas. Ribeiro foi secretário de Estado adjunto no governo de José Sócrates e conselheiro político de António José Seguro, dois nomes de relevo no Partido Socialista. O seu histórico sugere uma proximidade ao meio político que poderá comprometer a imparcialidade do trabalho da empresa.

A Aximage já esteve envolvida noutros episódios controversos, como uma sondagem relacionada com as eleições do Sport Lisboa e Benfica em 2020, que favorecia Luís Filipe Vieira. Na altura, José Almeida Ribeiro foi apontado como conselheiro informal de Vieira, o que gerou críticas quanto à credibilidade da empresa nesse contexto.

Curiosamente, após a convocação das eleições legislativas de 2025, a TVI decidiu terminar o contrato com a Pitagórica, mas voltou a contratá-la para as legislativas e autárquicas. No entanto, a empresa não foi chamada para elaborar sondagens relacionadas com as presidenciais, um facto que alimenta as suspeitas de manipulação seletiva dos estudos consoante o interesse editorial.

Outro nome a ter em conta neste cenário é Luís Bernardo, um dos clientes mais relevantes da Aximage. Ex-assessor de José Sócrates e ex-diretor de comunicação do Benfica, Bernardo tem ligações aos meios de comunicação social e ao mundo empresarial, tendo desempenhado funções de estratégia no Global Media Group, sob a liderança de José Paulo Fafe.

Esta teia de relações entre figuras políticas, empresariais e mediáticas coloca em causa a confiança do público nas sondagens como instrumento de avaliação eleitoral. A proximidade entre os protagonistas pode estar a contaminar os dados com interesses alheios ao rigor técnico.

Com a aproximação das presidenciais, os analistas políticos alertam para a necessidade de transparência nos métodos e entidades responsáveis pelas sondagens. Em períodos de campanha, os dados apresentados ao público podem influenciar decisivamente o comportamento dos eleitores, tornando ainda mais urgente uma reflexão sobre a independência e regulação do setor.