Jorge Costa viveu o futebol com intensidade, tanto dentro das quatro linhas como fora delas. Como jogador, foi um verdadeiro símbolo de entrega e liderança, e, quando pendurou as chuteiras, o destino voltou a colocá-lo nos relvados, agora como treinador. No entanto, por trás da figura pública que comandava equipas com firmeza, existia um homem profundamente ligado à sua família, sobretudo aos três filhos: David, Guilherme e Salvador.
Mesmo com os compromissos exigentes do futebol, Jorge Costa sempre encontrou espaço para valorizar os filhos. A prova mais clara desse amor incondicional está marcada no próprio corpo: o antigo capitão do FC Porto tatuou as iniciais dos três rapazes, eternizando-os na pele como símbolo de orgulho e ligação eterna. Era uma forma de carregar os filhos consigo, mesmo nas viagens e ausências impostas pela profissão.
Os filhos nasceram do casamento com Isabel, relação que terminou em 2012. Apesar da separação, Jorge manteve-se sempre próximo dos rapazes, reafirmando que eles eram a sua verdadeira prioridade. A ligação familiar nunca foi abalada e o antigo internacional português fazia questão de acompanhar, à sua maneira, o percurso individual de cada um deles.
Curiosamente, embora tivessem crescido ao lado de um dos nomes mais marcantes do futebol nacional, nenhum dos três filhos enveredou por uma carreira desportiva. David, o mais velho, foi o único que chegou a dar passos mais concretos no futebol, chegando a representar a seleção do Algarve. No entanto, acabou por optar por um rumo diferente.
Com o tempo, David afastou-se dos campos e enveredou pela vida académica. Estudou Business and Management em Marbella, na prestigiada Les Roches, e atualmente desenvolve a sua carreira na área comercial. Jorge falava dele com admiração e sem qualquer mágoa, revelando até algum humor ao recordar a fase em que o filho conciliava a paixão pelo futebol com atuações como DJ.
Guilherme, o segundo filho, seguiu o exemplo do irmão mais velho e escolheu a mesma formação académica, mas está a estudar em Vila do Conde. Tal como David, também não seguiu os passos do pai nos relvados, preferindo construir um percurso profissional fora do mundo desportivo. Já o mais novo, Salvador, ainda está em fase de estudos e a explorar os seus próprios interesses.
Apesar de nenhum dos filhos ter escolhido o futebol como carreira, Jorge Costa sentia-se plenamente realizado enquanto pai. Nunca exigiu que seguissem o seu caminho, mostrando respeito pelas decisões individuais de cada um. O que mais valorizava era o caráter, o empenho e a felicidade dos filhos — e nisso, sentia-se vitorioso.
A relação entre pai e filhos era de afeto, mas também de liberdade. Jorge compreendia que, por mais que o futebol fosse a sua paixão, cada um tem o direito de seguir o seu próprio sonho. Essa postura revelava a maturidade de um homem que soube separar o profissional do pessoal, e que cultivou nos filhos valores sólidos, como independência e responsabilidade.
Com a sua partida precoce, aos 53 anos, os três filhos choram não apenas o pai famoso, mas sobretudo o homem presente, atento e afetuoso que os acompanhou ao longo da vida. A dor da perda é imensa, mas fica a memória de uma relação construída com amor e autenticidade, longe dos holofotes.
Jorge Costa deixa um legado muito além do futebol. Deixa a marca de um pai que, mesmo no meio de uma carreira exigente, nunca deixou de estar presente. E para David, Guilherme e Salvador, a maior vitória do pai foi mesmo essa: ser lembrado, acima de tudo, como alguém que os amou profundamente.
