Na madrugada desta quarta-feira, um incêndio de grandes proporções deflagrou nas imediações da aldeia de xisto do Piódão, no concelho de Arganil. As chamas, rapidamente alimentadas pela vegetação seca e pelo vento forte, cercaram a localidade e mobilizaram um vasto contingente de meios de combate.
Por volta das 10 horas, já estavam no terreno 356 bombeiros, apoiados por 103 viaturas e cinco meios aéreos. O trabalho das equipas tem sido dificultado pelo relevo acidentado e pela intensidade do vento, que ameaça alterar de forma imprevisível o rumo do fogo.
O presidente da Junta de Freguesia, José Conceição Lopes, adiantou que os bombeiros conseguiram chegar à aldeia antes que as estradas de acesso ficassem bloqueadas. Segundo o autarca, a situação parecia estar “mais serena”, mas a existência de duas frentes ativas ainda gera grande preocupação.
O maior receio é que estas frentes se juntem, criando um cenário de difícil contenção. No local, sente-se o vento a soprar com força, tornando qualquer mudança de direção uma ameaça direta às habitações e ao património da aldeia histórica.
Grande parte dos moradores permanece reunida na praça central, numa tentativa de se manter em segurança e acompanhar as informações transmitidas pelas autoridades. A GNR orientou idosos e pessoas com mobilidade reduzida a deslocarem-se para a zona da igreja, considerada mais protegida.
A Câmara Municipal de Arganil decidiu ativar o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil. A medida reflete a gravidade do momento e a expectativa de que a situação possa agravar-se ao longo das próximas horas, exigindo resposta coordenada entre todas as forças no terreno.
As aldeias vizinhas de Foz d’Égua e Chãs d’Égua foram evacuadas como medida preventiva. Os habitantes destas localidades estão a ser encaminhados para zonas seguras, onde recebem apoio logístico e assistência das equipas de proteção civil.
O combate ao incêndio prossegue em ritmo intenso, com destaque para o papel crucial dos meios aéreos na tentativa de travar o avanço das chamas junto às áreas habitadas. Ainda assim, o acesso por terra continua a ser fundamental para a criação de linhas de contenção e rescaldo.
O Piódão, classificado como uma das aldeias mais emblemáticas de Portugal, é também um ponto de interesse turístico de elevado valor histórico. A preservação das casas de xisto e do seu enquadramento natural é uma prioridade, não só para os residentes, mas para todo o país.
Enquanto as autoridades reforçam o apelo à prudência e à colaboração da população, o sentimento predominante é de apreensão. Todos aguardam que o trabalho conjunto das equipas no terreno consiga travar o incêndio antes que este cause danos irreversíveis à aldeia e ao seu património.
