André Ventura tem utilizado os dias marcados pelos incêndios para defender que a política deve assumir uma postura responsável e unida. Segundo o líder do Chega, não é tempo de divisões partidárias, mas sim de colocar o país em primeiro lugar.
Num discurso firme, Ventura sublinhou que, perante tragédias ambientais como os fogos, não deve existir espaço para confrontos entre esquerda e direita. Na sua visão, todos os partidos têm obrigação de apoiar as forças no terreno e encontrar soluções conjuntas.
Apesar deste apelo à unidade, o dirigente não deixou de apontar falhas na forma como o Estado prepara a prevenção. Lembrou que os incêndios se repetem todos os verões e que continua a faltar planeamento eficaz para evitar cenários devastadores.
Ventura foi mais longe e defendeu que quem provoca incêndios de forma intencional deve ser tratado como terrorista. Para ele, não é aceitável que existam penas leves para crimes que colocam em risco vidas humanas, florestas e aldeias inteiras.
A proposta de equiparar incendiários a terroristas não é nova, mas voltou a ganhar força no discurso do líder do Chega em plena época de fogos. Ventura considera que só penas muito duras podem funcionar como verdadeira dissuasão.
O deputado também anunciou a intenção de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, com o objetivo de avaliar como o combate aos incêndios tem sido conduzido desde 2017, ano da tragédia de Pedrógão Grande, até ao presente.
Para Ventura, é essencial perceber se as falhas foram corrigidas ou se continuam a repetir-se erros de coordenação, falta de meios e ausência de planeamento. Só assim, argumenta, será possível responsabilizar quem tem responsabilidades políticas.
Não poupando esforços e direcionado os holofote para o PSD onde Luís Montenegro neste contexto, a sua mensagem deixa subentendido que espera do Governo uma postura firme e soluções concretas, em vez de discursos que acabam por não se refletir no terreno.
O líder do Chega insistiu também que os incêndios não podem ser usados como arma de arremesso político, mas que o debate sobre as falhas estruturais deve ser feito de forma séria e sem tabus.
No balanço das suas palavras, Ventura apresentou-se como alguém disposto a apoiar medidas eficazes, mas igualmente determinado em exigir responsabilidade. Entre apelos à união e propostas duras contra incendiários, deixou claro que não aceita complacência em tempo de crise.
