Um grave acidente de viação ocorrido este sábado, 16 de agosto, no distrito da Manhiça, província de Maputo, deixou um rasto de dor e consternação. O sinistro resultou na morte de pelo menos seis pessoas e em nove feridos, entre os quais uma criança que se encontra em estado crítico.
O acidente deu-se na Estrada Nacional 1 (EN1), uma das vias mais movimentadas e estratégicas do país, quando um semicoletivo de transporte de passageiros embateu violentamente contra um camião que se encontrava imobilizado na faixa de rodagem. O veículo pesado não tinha qualquer sinalização visível, o que terá contribuído para o choque brutal.
De acordo com José Novela, chefe de Instrução e Educação Pública no Departamento de Trânsito da província de Maputo, a colisão resultou de uma combinação de fatores: o excesso de velocidade do semicoletivo e a imobilização irregular do camião, sem medidas de aviso para outros condutores.
Os feridos foram assistidos de imediato pelas equipas de emergência que se deslocaram ao local. A maioria foi levada para o Hospital Distrital da Manhiça, enquanto a criança em estado grave foi transferida com urgência para o Hospital Central de Maputo, dada a gravidade dos ferimentos.
Este acidente vem juntar-se a uma preocupante sequência de sinistros rodoviários que têm ceifado vidas em Moçambique. Só no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Polícia da República de Moçambique (PRM), registaram-se 409 mortos e 823 feridos nas estradas do país.
Comparando com o mesmo período de 2024, verifica-se um aumento significativo da sinistralidade. No ano passado tinham sido contabilizadas 366 vítimas mortais e 310 acidentes, contra os 326 registados apenas nos primeiros seis meses deste ano. Estes números mostram uma tendência preocupante de agravamento.
Entre as principais causas identificadas pelas autoridades estão comportamentos de risco como o excesso de velocidade, condução sob efeito de álcool e falta de respeito pelas regras de trânsito. A precariedade de alguns veículos e a ausência de sinalização em zonas críticas agravam ainda mais o problema.
O Governo moçambicano tem tentado responder a esta realidade. Em abril, foi lançado o Plano de Ação de Segurança Rodoviária, que prevê reforço das fiscalizações, revisão da legislação, maior investimento em infraestruturas e campanhas de sensibilização junto da população.
Apesar desses esforços, o acidente da Manhiça expõe a fragilidade do sistema rodoviário e a urgência de medidas mais eficazes. Para as famílias enlutadas, as estatísticas transformaram-se numa realidade dolorosa, que deixa marcas impossíveis de apagar.
O país volta, assim, a ser confrontado com o peso da insegurança nas estradas. As autoridades pedem prudência e responsabilidade aos condutores, enquanto a sociedade clama por mudanças concretas que possam devolver confiança e segurança a quem circula diariamente nas estradas moçambicanas.
