Aos 80 anos de idade e com 65 de carreira televisiva, Júlio Isidro continua a ser um dos comunicadores mais queridos do público português. Este domingo, o apresentador recorreu às redes sociais para partilhar uma reflexão pessoal sobre o caminho já percorrido e sobre as dúvidas que hoje tem em relação ao futuro.
Há 25 anos, quando celebrava quatro décadas de televisão, escreveu a frase que ficou para sempre associada ao seu percurso: “Quero morrer na RTP”. Hoje, confessa já não ter a mesma certeza de que esse desejo se cumpra, revelando uma visão mais ponderada sobre o que ainda poderá vir a acontecer.
Segundo o próprio, se tal se confirmar, será o fecho de uma história marcada por fidelidade, persistência, resiliência e sobretudo paixão pela comunicação. Palavras que refletem o espírito com que sempre viveu a profissão e que justificam o carinho que o público continua a demonstrar.
Apesar de reconhecer o peso da idade, Júlio Isidro não se sente limitado no entusiasmo que o move. Garante continuar repleto de ideias e sonhos, ainda que admita que alguns projetos provavelmente já não terá tempo para concretizar.
Com humor e realismo, partilhou até algumas convicções pessoais sobre o que dificilmente presenciará. Entre elas, enumerou a construção do novo aeroporto de Lisboa, a concretização do direito a uma casa para cada família portuguesa ou ainda a eleição de um novo Presidente da República após o próximo mandato.
O comunicador confessou igualmente duvidar que consiga assistir ao usufruto pleno da palavra “Liberdade” em Portugal. Uma reflexão que, mais do que pessimismo, revela a sua forma crítica e atenta de olhar para a sociedade.
Mesmo assim, Júlio Isidro mantém a determinação em continuar ativo e dá como exemplo Fernando Pessa, que trabalhou até muito tarde na sua vida. Inspirado nessa figura, o apresentador promete fazer o possível para alcançar o centenário com vitalidade e bom humor.
Com a irreverência que lhe é característica, brincou até com a possibilidade de sofrer um imprevisto em direto. “Não me apetece que o 112 entre no estúdio a fazer tinóni para me porem o comprimido debaixo da língua”, escreveu, arrancando sorrisos aos seguidores.
O comunicador reforça ainda que, mesmo após tantas décadas, sente que tem “um pedaço saboroso para gastar, bem gasto, até ao cair do pano”. Ou seja, não pensa em desligar-se dos ecrãs tão cedo e pretende aproveitar ao máximo cada oportunidade que lhe for dada.
Assim, Júlio Isidro mostra que, para além de ser uma figura histórica da televisão portuguesa, continua a viver a profissão com a mesma paixão de sempre. O futuro pode trazer incertezas, mas o seu entusiasmo em comunicar permanece inabalável.
