O concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, voltou a ser atingido por um cenário de grande preocupação com o avanço das chamas. Durante a tarde, cinco aldeias — Torneira, Romão, Agria, Marroquil e Sobreiro — foram evacuadas como medida de prevenção, evitando riscos para a população.
Segundo Carlos Guerra, comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria, a decisão foi tomada após avaliação constante da situação no terreno. O responsável sublinhou que a evolução do fogo está a ser monitorizada minuto a minuto, e que a prioridade é sempre garantir a integridade física das pessoas.
No terreno, encontram-se mobilizados mais de 600 operacionais, apoiados por várias dezenas de viaturas e meios aéreos. O esforço das equipas concentra-se na proteção das habitações, procurando evitar que as chamas atinjam as zonas mais povoadas. Apenas depois de assegurada a segurança das aldeias, será possível intensificar o combate direto às frentes ativas.
Os moradores que tiveram de deixar as suas casas foram encaminhados para o pavilhão municipal de Pedrógão Grande. Nesse espaço foi montada uma estrutura de apoio com o envolvimento da Cruz Vermelha, da Segurança Social e de equipas de saúde. O INEM também está presente, garantindo resposta imediata a qualquer situação de emergência.
As autoridades informaram ainda que a circulação rodoviária se encontra condicionada em vários acessos ao concelho. A medida pretende facilitar a passagem dos meios de socorro e reduzir riscos para quem circula nas zonas mais próximas do incêndio.
Apesar da dimensão do fogo, até agora não há registo de vítimas. As autoridades mantêm, contudo, uma vigilância apertada sobre áreas consideradas sensíveis, devido às elevadas temperaturas e ao vento, fatores que complicam o trabalho dos bombeiros e podem provocar reacendimentos inesperados.
A Proteção Civil reforçou o apelo à população para que siga todas as indicações oficiais e evite deslocações desnecessárias às zonas de risco. Foi ainda recordada a importância da limpeza de terrenos e da manutenção das faixas de proteção em redor das habitações, medidas fundamentais para travar a propagação das chamas.
O episódio faz renascer memórias dolorosas na região. Em 2017, Pedrógão Grande foi palco de uma das maiores tragédias de incêndios em Portugal, que tirou a vida a 66 pessoas. A lembrança dessa catástrofe permanece viva na memória coletiva e aumenta a preocupação de moradores e autoridades sempre que surgem novos focos de fogo.
Apesar da gravidade da situação, o trabalho conjunto das forças de socorro tem permitido evitar o pior. A coordenação entre bombeiros, GNR, proteção civil e equipas de apoio social mostra-se essencial para garantir não apenas o combate às chamas, mas também o bem-estar da população deslocada.
O combate prossegue pela noite dentro, com reforço de meios previsto para as próximas horas. A prioridade continua a ser a salvaguarda de vidas humanas e a proteção de bens, numa corrida contra o tempo para travar o avanço das chamas e devolver tranquilidade a Pedrógão Grande.
